Quando li o livro “Ética, educação e trabalho”
de Otávio José Weber conheci a parábola “A Águia e as galinhas”, que foi
retirada do livro homônimo de autoria de Leonardo Boff, escritor brasileiro.
Esse livro foi escrito em 1997 e inspirado em história contada pelo professor e
missionário ganense, James Aggrey, que
viveu entre os séculos XIX e XX e acho que tem muito haver sobre a ideia
de liberdade.
Um dos trechos que está no livro de
Otávio José Weber é de interessantíssima qualidade e convém a todos apreciar e
refletir sobre o que é dito:
“Ouvi na Alemanha, nos meus tempos de
estudante, uma pequena história que não é uma fábula, mas um fato verdadeiro.
[...] Certa feita, um camponês capturou um filhote de águia. Criou-o em casa
com as galinhas. A águia se transformou aparentemente numa galinha. Um dia o
camponês recebeu a visita de um naturalista que conhecia os hábitos das águias.
Este disse: - A águia cisca o chão como as galinhas. Ela é chamada a voar alto
e estar acima das montanhas.
O camponês retrucou: - Mas ela virou
galinha. Já não voa mais.
Disse lhe então o naturalista: - Ela não voa agora, mas
esta tem dentro do peito e nos olhos a direção do sol e o chamado das alturas.
Ela vai voar.
Certa manhã os dois foram bem cedo ao
alto da montanha. O sol nascia. O naturalista segurou a águia firme, com os
olhos voltados para o sol. E então lançou-a para o alto. E a águia,
transformada em galinha, despertou em seu ser de águia. Ergueu voo.
Ziguezagueante no começo, depois firme, sempre mais alto e mais alto, até
desaparecer no infinito do céu matinal.
Companheiros e companheiras de sonho e
de esperança: dentro de cada um de nós vive uma águia. Nossa cultura e os
sistemas de domesticação nos transformaram em galinhas que ciscam o chão. Mas
nós temos a vocação para o alto, para o infinito. Libertemos a águia que se
esconde em nós. Não permitamos que nos condenem à mediocridade. Façamos o voo
da libertação. E arrastemos outros conosco, porque todos escondemos uma águia
em nós. Todos somos águias.”
Faz-nos pensar como estamos levando
nossas vidas. Se estamos agindo apenas como dizem para agirmos, ou se estamos
liberando a águia que temos em nós. Todos nascem com o potencial para ser
águia, mas infelizmente muitos se deixam levar pelo que é colocado a nós como
certo e ficamos apenas ciscando sobre aquilo que foi dado, sem tentar nos
libertar a alçar voos maiores, como uma águia. O agir da águia como galinha
seria o senso comum e a libertação para a sua verdadeira natureza é a
representaçãodo senso crítico.
Estamos vivendo no Brasil um momento em
que aflora o sentimento de que não podemos ter um pensamento coagido e sim
alçar um raciocínio crítico e entender a verdadeira situação em que estamos.
A parábola indica ainda movimento,
ação: Enquanto a águia age como galinha ela apenas cisca o chão e come milho,
já quando ela toma atitude de águia ela toma iniciativas, não fica apenas num
movimento repetitivo, ela busca o que deseja, ao invés de ficar esperando
acontecer.
Claro que essa é só uma fábula, mas a
importância dessas histórias para nos fazer refletir é de extrema relevância.
Sempre lembrando que: “Reflexão sem ação não nos leva a
lugar algum”.
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