quarta-feira, 25 de julho de 2018

A águia e a galinha


         Quando li o livro “Ética, educação e trabalho” de Otávio José Weber conheci a parábola “A Águia e as galinhas”, que foi retirada do livro homônimo de autoria de Leonardo Boff, escritor brasileiro. Esse livro foi escrito em 1997 e inspirado em história contada pelo professor e missionário ganense, James Aggrey, que viveu entre os séculos XIX e XX e acho que tem muito haver sobre a ideia de liberdade.
         Um dos trechos que está no livro de Otávio José Weber é de interessantíssima qualidade e convém a todos apreciar e refletir sobre o que é dito:
         “Ouvi na Alemanha, nos meus tempos de estudante, uma pequena história que não é uma fábula, mas um fato verdadeiro. [...] Certa feita, um camponês capturou um filhote de águia. Criou-o em casa com as galinhas. A águia se transformou aparentemente numa galinha. Um dia o camponês recebeu a visita de um naturalista que conhecia os hábitos das águias. Este disse: - A águia cisca o chão como as galinhas. Ela é chamada a voar alto e estar acima das montanhas.
         O camponês retrucou: - Mas ela virou galinha. Já não voa mais.
Disse lhe então o naturalista: - Ela não voa agora, mas esta tem dentro do peito e nos olhos a direção do sol e o chamado das alturas. Ela vai voar.
         Certa manhã os dois foram bem cedo ao alto da montanha. O sol nascia. O naturalista segurou a águia firme, com os olhos voltados para o sol. E então lançou-a para o alto. E a águia, transformada em galinha, despertou em seu ser de águia. Ergueu voo. Ziguezagueante no começo, depois firme, sempre mais alto e mais alto, até desaparecer no infinito do céu matinal.
         Companheiros e companheiras de sonho e de esperança: dentro de cada um de nós vive uma águia. Nossa cultura e os sistemas de domesticação nos transformaram em galinhas que ciscam o chão. Mas nós temos a vocação para o alto, para o infinito. Libertemos a águia que se esconde em nós. Não permitamos que nos condenem à mediocridade. Façamos o voo da libertação. E arrastemos outros conosco, porque todos escondemos uma águia em nós. Todos somos águias.”
         Faz-nos pensar como estamos levando nossas vidas. Se estamos agindo apenas como dizem para agirmos, ou se estamos liberando a águia que temos em nós. Todos nascem com o potencial para ser águia, mas infelizmente muitos se deixam levar pelo que é colocado a nós como certo e ficamos apenas ciscando sobre aquilo que foi dado, sem tentar nos libertar a alçar voos maiores, como uma águia. O agir da águia como galinha seria o senso comum e a libertação para a sua verdadeira natureza é a representaçãodo senso crítico.
         Estamos vivendo no Brasil um momento em que aflora o sentimento de que não podemos ter um pensamento coagido e sim alçar um raciocínio crítico e entender a verdadeira situação em que estamos.
         A parábola indica ainda movimento, ação: Enquanto a águia age como galinha ela apenas cisca o chão e come milho, já quando ela toma atitude de águia ela toma iniciativas, não fica apenas num movimento repetitivo, ela busca o que deseja, ao invés de ficar esperando acontecer.
         Claro que essa é só uma fábula, mas a importância dessas histórias para nos fazer refletir é de extrema relevância.
Sempre lembrando que: “Reflexão sem ação não nos leva a lugar algum”.

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