O que é Liberdade? Você é livre?
Essas são perguntas que só podem ser
respondidas observando-se vários campos do saber.
Por exemplo, biologicamente o ser humano é livre até o
ponto em que a filogênese obstrui possíveis vontades que humanamente seriam
impossíveis. Se o homem tivesse a vontade de voar ele não poderia, pois, a
filogenia da espécie não formou o ser humano como um ser apto para isso. Então,
o homem pode ser livre para voar, mas não conseguiria fazê-lo.
Visto isso, pode existir alguém que
esteja pensando: “Então os pássaros são livres, pois, podem voar”, na verdade
não é bem assim. Os pássaros (desde que não estejam engaiolados) são livres
para voar, porém, não podem escolher para onde, já que se deslocando para um
lugar frígido e sem comida podem morrer de frio ou de fome. Portanto, os
pássaros são livres para voar e podem voar já que sua filogênese o permite fazê-lo,
mas são condicionados a sobrevoar locais com clima ameno e onde possam angariar
comida para que a sobrevivência esteja garantida.
E na esfera social, podemos ser
considerados totalmente livres?
Segundo a concepção existencialista
o ser humano é acometido pela total liberdade, sendo ele o responsável por suas
ações. Um dos maiores filósofos do existencialismo, o francês Jean-Paul Sartre
chegou a afirmar que “O homem está condenado a ser livre”. Condenado, porque
não se criou a si mesmo, e livre, pois, uma vez lançado no mundo, é responsável
pelos seus atos.
Já na forma estruturalista de pensar, a liberdade é vista
como algo com limitações. Nós somos livres, porém, dentro de um contexto. Somos
livres para ir e vir, desde que o espaço do outro não seja incomodado e que uma
ideologia dominante seja preservada. Por exemplo, pode-se andar pelas ruas já
que estas são públicas, mas se alguém invade um espaço privado terá que prestar
contas com a lei. Leis são criadas para dar e ao mesmo tempo tirar certas liberdades.
Portanto, já que não podemos circular por onde queremos, não podemos dizer que
somos completamente livres.
Assim também é no campo das opiniões. Nós até somos
livres para dizer o que pensamos, mas dependendo quais são as palavras
proferidas novamente teremos problemas com a esfera jurídica.
O ser humano em sua fase primitiva, num estagio natural,
ou seja, sem a civilização, obtinha a liberdade total. Liberdade para falar e
agir como queria, além de estar nos lugares onde desejava. Afinal, como disse o
filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau: “Maldito o homem que fincou uma estaca no chão e disse: aqui é meu e aí é seu”, a partir daí
toda a existência humana foi fundamentada na propriedade privada, leis e normas
começaram a condicionar a liberdade dos indivíduos em nome dessas propriedades
e de valores que nada tinham haver com o lado natural do ser humano, que foi
quase que totalmente esquecido.
No campo da religião a liberdade é condicionada às
escrituras sagradas. As pessoas só devem fazer aquilo que está escrito na
bíblia e deve evitar o que o livro sagrado condena. Para fugir do pecado e do
mal os cristãos ficam ligados aos ensinamentos de Deus.
A única liberdade sem restrições que realmente temos é a
do pensamento. Podemos pensar o que e como quisermos, podemos até pensar o que
não é moralmente certo ou o que vai contra as leis estabelecidas. Entretanto,
pensar é uma coisa, expor isso em palavras é outra totalmente diferente.
Sendo assim toda a “liberdade” que alcançamos na verdade
é condicionada, seja por leis, pela biologia ou até mesmo pela religião.
A religiosidade é muito importante quando não nos deixa
atados numa única posição dogmática e absoluta, afinal ela procura nos levar há
um estado de amor e respeito ao próximo.
Por conseguinte, independentemente da liberdade devemos
sempre procurar seguir o bem assim como indica a maioria das religiões, já que
a liberdade total numa sociedade da forma como a nossa foi desenvolvida poderia
ser algo prejudicial e quem sabe até não levaria a extinção da espécie humana.
Um bom exemplo disso pode ser dado até no campo da
política, nos tempos de aristocracia o filósofo iluminista Voltaire disse algo
que podemos considerar como muito importante sobre o sistema parlamentarista de
governo. Voltaire dizia que um rei nesse sistema teria total liberdade para
fazer o bem, mas teria mãos atadas pelo parlamento para fazer o mal.
Com isso, podemos concluir que talvez não desfrutemos da
liberdade que gostaríamos e poderíamos, mas também não chegamos ao ponto de
encontrar na sociedade uma liberdade prejudicial a todos.
- “Liberdade é o espaço que a felicidade precisa”
(Fernando Sabino).
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