sexta-feira, 8 de junho de 2018

Liberdade


            O que é Liberdade? Você é livre?
            Essas são perguntas que só podem ser respondidas observando-se vários campos do saber.
Por exemplo, biologicamente o ser humano é livre até o ponto em que a filogênese obstrui possíveis vontades que humanamente seriam impossíveis. Se o homem tivesse a vontade de voar ele não poderia, pois, a filogenia da espécie não formou o ser humano como um ser apto para isso. Então, o homem pode ser livre para voar, mas não conseguiria fazê-lo.
            Visto isso, pode existir alguém que esteja pensando: “Então os pássaros são livres, pois, podem voar”, na verdade não é bem assim. Os pássaros (desde que não estejam engaiolados) são livres para voar, porém, não podem escolher para onde, já que se deslocando para um lugar frígido e sem comida podem morrer de frio ou de fome. Portanto, os pássaros são livres para voar e podem voar já que sua filogênese o permite fazê-lo, mas são condicionados a sobrevoar locais com clima ameno e onde possam angariar comida para que a sobrevivência esteja garantida.
            E na esfera social, podemos ser considerados totalmente livres?
            Segundo a concepção existencialista o ser humano é acometido pela total liberdade, sendo ele o responsável por suas ações. Um dos maiores filósofos do existencialismo, o francês Jean-Paul Sartre chegou a afirmar que “O homem está condenado a ser livre”. Condenado, porque não se criou a si mesmo, e livre, pois, uma vez lançado no mundo, é responsável pelos seus atos.
Já na forma estruturalista de pensar, a liberdade é vista como algo com limitações. Nós somos livres, porém, dentro de um contexto. Somos livres para ir e vir, desde que o espaço do outro não seja incomodado e que uma ideologia dominante seja preservada. Por exemplo, pode-se andar pelas ruas já que estas são públicas, mas se alguém invade um espaço privado terá que prestar contas com a lei. Leis são criadas para dar e ao mesmo tempo tirar certas liberdades. Portanto, já que não podemos circular por onde queremos, não podemos dizer que somos completamente livres.
Assim também é no campo das opiniões. Nós até somos livres para dizer o que pensamos, mas dependendo quais são as palavras proferidas novamente teremos problemas com a esfera jurídica.
O ser humano em sua fase primitiva, num estagio natural, ou seja, sem a civilização, obtinha a liberdade total. Liberdade para falar e agir como queria, além de estar nos lugares onde desejava. Afinal, como disse o filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau: “Maldito o homem que fincou uma estaca no chão e disse: aqui é meu e aí é seu”, a partir daí toda a existência humana foi fundamentada na propriedade privada, leis e normas começaram a condicionar a liberdade dos indivíduos em nome dessas propriedades e de valores que nada tinham haver com o lado natural do ser humano, que foi quase que totalmente esquecido.
No campo da religião a liberdade é condicionada às escrituras sagradas. As pessoas só devem fazer aquilo que está escrito na bíblia e deve evitar o que o livro sagrado condena. Para fugir do pecado e do mal os cristãos ficam ligados aos ensinamentos de Deus.
A única liberdade sem restrições que realmente temos é a do pensamento. Podemos pensar o que e como quisermos, podemos até pensar o que não é moralmente certo ou o que vai contra as leis estabelecidas. Entretanto, pensar é uma coisa, expor isso em palavras é outra totalmente diferente.
Sendo assim toda a “liberdade” que alcançamos na verdade é condicionada, seja por leis, pela biologia ou até mesmo pela religião.
A religiosidade é muito importante quando não nos deixa atados numa única posição dogmática e absoluta, afinal ela procura nos levar há um estado de amor e respeito ao próximo.
Por conseguinte, independentemente da liberdade devemos sempre procurar seguir o bem assim como indica a maioria das religiões, já que a liberdade total numa sociedade da forma como a nossa foi desenvolvida poderia ser algo prejudicial e quem sabe até não levaria a extinção da espécie humana.
Um bom exemplo disso pode ser dado até no campo da política, nos tempos de aristocracia o filósofo iluminista Voltaire disse algo que podemos considerar como muito importante sobre o sistema parlamentarista de governo. Voltaire dizia que um rei nesse sistema teria total liberdade para fazer o bem, mas teria mãos atadas pelo parlamento para fazer o mal.
Com isso, podemos concluir que talvez não desfrutemos da liberdade que gostaríamos e poderíamos, mas também não chegamos ao ponto de encontrar na sociedade uma liberdade prejudicial a todos.
- “Liberdade é o espaço que a felicidade precisa” (Fernando Sabino).

Não tenha vergonha do que os outros vão achar

Porque sentimos vergonha?
Primeiramente, sentimos vergonha porque não queremos ser vulneráveis na frente de outras pessoas, não queremos ser rejeitados pelo grupo social que estamos incluídos, não queremos nos sentir estranhos aos olhos alheios. A vergonha é tida por muitos como uma defesa natural para não passar ridículo.
Mas aí eu pergunto, ridículo de que? Se tirarmos os padrões sociais, quem sabe o que é ridículo e o que não é? Não ter vergonha das coisas é ser eu mesmo sem precisar mudar para agradar os outros. Simplesmente, aquele que te rejeita como você é na verdade não merece sua convivência. Mudar pra não ter a ameaça da vergonha ante as pessoas é uma forma de viver inautêntica. Ser uma pessoa diferente do que realmente é só trás problemas e não soluções.
A vida é mais bem vivida com autenticidade e sem medo do olhar impetuoso dos outros. Impetuoso porque o ser humano aprendeu a ser cruel em essência, vemos isso no problema do bullying, em que desde crianças aprendem a caçoar de outras crianças consideradas por algum motivo mais frágeis.
É preciso muita coragem para ser como é, e é muito difícil, mas esse exercício é bastante importante e no fim o que vamos perceber é que ser como somos (desde que não prejudique ninguém) é o que importa. O que não importa nem um pouco é o que os outros falam de mim.
Portanto, não tenha vergonha do que os outros vão achar.